quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eu passei tanto tempo juntando palavras, formando poemas, recortando e colando imagens belas, feias, bizarras, malucas, reais, fictícias. Imagens imagens, que sem qualquer ajuda, explicam-se melhores do que livros inteiros. Tudo com apenas um propósito: Entender. Entender quem sou, se não passo de mais uma árvore que dança em meio ao furacão, ou se sou um pisca-pisca de Natal que aos poucos vai deixando de brilhar. Entender porque cargas d’água vim parar no meio desses humanos que já não se importam com o significado da palavra sentir, sendo de minha vontade transformar-me em beija-flor, batendo minhas asas quase invisíveis, passeando alegremente em meio às flores da primavera. Entender o amor, sentimento feito para não se entender, e sim ser vivido de forma plena, durando uma vida, ou meio minuto. Mas bati o pé, teimei. Queria entender e pronto! Pois então foi o que aconteceu, a vida encaixou em meus braços aquele que me faria entender.
Manhã nublada. Estação de Metrô. Uma definição: caos. De um lado para o outro corriam dezenas de pessoas desesperadas para cuidarem de suas vidas ainda mais desesperadas. Por algo que só poderia ser chamado de sorte, consegui entrar em um vagão sem grandes problemas. Haviam pessoas de todos os gostos, cheiros e rostos. Umas olhavam-se curiosas, outras tratavam de ler o jornal fingindo que ninguém mais estava presente, e também tinham outras - como eu - que não sabiam o que fazer consigo, com a desagradável sensação de que não serviam para estar ali. Enquanto contava mentalmente quanto tempo permaneceria ali, ao mesmo tempo fazendo preces para que aquela tortura acabasse rapidamente, senti uma mão encostar em meu braço. Em meio a tantas mãos, braços, pernas e dedos, aquele foi o que chamara minha atenção. Olhei seus lábios sussurrando um pedido de desculpas, estava preparada para me virar e voltar novamente em meu estado de existência insignificante, mas então olhei em seus olhos escuros, e eles me olharam de volta. Seus olhos brilharam, como duas estrelas, para mim. Só para mim. Soube, então, que estava perdida.
Passaram-se seis meses desde aquele dia que seria considerado mais um dia de existência, mas que, com ele, transformou-se em meu primeiro dia de vida. Junto dele descobri que aquelas cócegas causadas por borboletas apaixonadas nada significavam comparadas ao arrepio de seus dedos pelo meu braço. Em seu abraço descobri onde se escondia a força que por toda uma existência busquei, e uma muralha que me protegia. Mísseis eram atirados diariamente. Bombas. Granadas. E nada sentia quando aqueles braços me envolviam. Em sua voz descobri a sinfonia que desacelerava meu coração - este já não tinha mais forças pra bater tamanho medo de tropeçar e cair em algum precipício pelo caminho. E nele, finalmente entendi que nada havia para ser entendido quando se é feliz. Tudo o que queria era afundar em seu abraço todas as noites, e despertar com seus beijos todas as manhãs. Não desejava mais nada além de, à cada dia, escrever em nosso livro um novo sonho, história, lembrança, promessa. E a cada dia ter um “nós” diferente do anterior. Mais forte. Mais amor. Mais nós. Dois corações no mesmo lugar. Nunca você-e-eu, eu-e-você. Separados, nunca mais. Juntos, para sempre.

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